domingo, 21 de agosto de 2011

CEDENDO O LUGAR PARA O AMOR

     Quando eu era adolescente, e trabalhava como officeboy em um banco no Centro de Maceió, eu costumava pegar o ônibus, depois que largava às 18:00h, antes do ônibus fazer o circular no Centro. Pois assim eu pegava um lugar para vir sentado no lado da janela. Fazia esse sacrifício de atravessar praticamente todo o Centro da cidade à pé para ter esse "privilégio". Quando o ônibus chegava nos pontos do Centro, era uma verdadeira "guerra" de pessoas para subir pela porta. Alguns até se penduravam no ônibus ainda em movimento para ser o primeiro a subir.
    Um dia, eu sentado confortavelmente em minha cadeira cativa, uma senhora não estava se sentindo bem. Eu nem estava percebendo, pois estava olhando a paisagem urbana pela janela. Então um homem me pediu o lugar para esta senhora. Acho que eu era o único no ônibus que não "tinha necessidade" de está ali sentado. Pois eu era novo e aguentava ficar de pé. Então, irritado, resmungando por dentro, dei o lugar. Cheguei ao ponto de descida chateado por ter cedido o lugar. E todas as vezes que eu via aquela senhora, eu me lembrava logo do dia e pra mim não era uma lembrança boa.
    Passados alguns meses, o marido da minha tia faleceu. E antes de sair o cortejo fúnebre para o cemitério, a minha mãe passou mal e imagine só quem deixou de ir ao cortejo e foi socorrer a minha mãe? Sim! Aquela senhora a qual eu cedi o lugar com raiva. Agora quando eu a via, já não olhava mais com raiva, e nem com agradecimento e sim de vergonha. 
   
    Algumas vezes negamos ou cedemos com raiva alguma coisa. Ou então queremos alguma coisa. Esperamos alguma reciprocidade. Se devemos ceder alguma coisa, que façamos com amor sem esperar algo em troca. Pois receberemos muito mais no futuro.
    
Josenildo Elias